domingo, 5 de julho de 2015

A memória Pomerana como tema de casa...

A cultura pomerana através dos utensílios: objetos doados resgatam parte da história.
Alunos da Escola Carlos Soares da Silveira redescobrem a própria história e a vida de seus antepassados através de uma iniciativa implantada no interior de Canguçu.

Na premiação oferecida pela FAMURS, em 2014, projeto canguçuense conquistou primeiro lugar dentre os 497 municípios gaúchos na categoria Museus, Patrimônio e Memória




 Nas taperas abandonadas ou na varanda das casas dos avós pode haver um tesouro escondido. É o que aprendem desde cedo os estudantes da Escola Municipal Carlos Soares da Silveira, localizada em Nova Gonçalves, zona rural do município.
 O despertar para uma nova consciência e a valorização da própria cultura fazem parte deste tesouro que começa a ser escavado e já rende boas conquistas à comunidade. A iniciativa “A cultura local reinventando o currículo escolar” busca promover uma ação educativa voltada à valorização da identidade do aluno na família, na escola, na comunidade e na sociedade, dentro da perspectiva de construção de um espaço de memória. O objetivo é que este espaço, construído por todos, possa concretizar o registro e a preservação do patrimônio cultural pomerano.

 Na prática, os estudantes, em turno inverso, realizam visitações a museus, propriedades rurais e taperas. Nessas moradias abandonadas foram encontrados objetos que, com o consentimento dos atuais proprietários, passaram a fazer parte do acervo do museu que a escola está construindo. Com o apoio técnico da Fundação Universidade Federal do Rio Grande (FURG), os alunos iniciaram uma atividade prática, manuseando os objetos doados pela comunidade. O trabalho consiste em catalogar dados referentes à história de cada artefato. Os monitores voluntários também aprendem sobre limpeza e catalogação das peças.

 A cada passo uma história pulsante vai fascinando os pequenos. Objetos que antes poderiam ser classificados como “ultrapassados”, agora são relíquias que ajudam a contar parte da história de um povo que começou a chegar ao Rio Grande do Sul na primeira metade do século XIX: os alemães e pomeranos. O cotidiano de tarefas inclui uma pesquisa realizada pelos estudantes em busca das origens de sua região e de seus antepassados. A cultura, os objetos, o patrimônio imaterial difundido nos costumes, o artesanato, a culinária típica da região, os gostos e saberes que formam um multifragmentado cenário rural. Tudo isso é tema de interesse para os curiosos olhos juvenis que constroem o conhecimento.

 No meio do caminho, os estudantes se encontram na própria história que pesquisam e escrevem. O campo de pesquisa não é apenas amplo, mas também familiar. As residências de pais, avós, vizinhos e parentes são o ponto de partida para a construção deste conhecimento que busca resgatar uma memória ameaçada.

 Uma das idealizadoras da ação é a professora Patrícia Kern. Formada em pedagogia, seu trabalho de conclusão do curso abordou as Festas do Colono realizadas no município. Depois, já na Escola Carlos Soares da Silveira, ela decidiu ampliar o trabalho e tratar sobre a cultura pomerana. “Resolvi dar sequência em função da minha pesquisa e, principalmente, estreitar os laços entre escola e a comunidade local”, conta.

Conquista
 No ano passado, a iniciativa foi vencedora da 4ª edição do Prêmio Cultura Famurs/Codic, que destacou ações culturais desenvolvidas pelas administrações municipais que tenham implantado ou executado atividades de estímulo ao desenvolvimento da cultura local ou regional. Canguçu foi vencedor da categoria Museus, Patrimônio e Memória. O projeto ficou em primeiro lugar entre os 497 municípios gaúchos.

Homenagem
 Durante as comemorações de 158 anos do município, a Escola Carlos Soares da Silveira foi homenageada pela Secretaria Municipal de Educação por seu papel na preservação da memória pomerana. A homenagem foi feita pela secretária de Educação, Ledeci Coutinho, durante a solenidade de abertura oficial das festividades. O trabalho desenvolvido na instituição já atraiu centenas de visitantes, incluindo uma comitiva latino-americana que veio conhecer de perto a iniciativa. A escola é dirigida atualmente pela professora Márcia Kern.

Fonte: Jornal Tradição Regional

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