quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

As vestes do pastor (Parte 1)

Qual a origem, o significado e a importância delas?

O talar preto com peitilho:

  O Talar preto era a veste dos acadêmicos do século 16, que Lutero passou a usar, como liturgo a partir de  1524. Essa veste era usada para distinguir a pessoa que assumia a pregação no púlpito. O talar preto com peitilho branco origina-se quando Frederico Guilherme III, organizou no início do século 19, um processo de união das igrejas luterana e calvinista, constituindo a Igreja da União Prussiana. O Rei decretou em 1811, o uso de uma veste paramental uniforme para todos os clérigos protestantes da Prússia. Esta veste era o talar preto.    Porém era necessário identificar os pastores, para saber quem era luterano, reformado(calvinista) ou unido. Isso foi possível através do "peitilho" ( item branco bipartido que vai junto ao pescoço). Quem era luterano usava o peitilho todo aberto; reformados usavam o peitilho todo fechado; e unidos usavam o peitilho fechado até o meio. Veja na imagem abaixo:






 O talar preto com peitilho branco foi usado também pelos primeiros pastores que organizaram a formação das comunidades luteranas no Brasil, usado também pelos pastores missionários que vieram da Alemanha e Estados Unidos. O talar preto com peitilho foi a veste litúrgica oficial dos pastores durante o tempo de organização da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), da Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) e também das Comunidades Livres.     

  A IECLB ainda mantém o seu uso atribuído a todos os pastores e pastoras, porém há muitos que prefiram a alba e a estola. Na IELB não se tem notícia de nenhum pastor que use essa veste atualmente. A última vez que se viu um pastor da IELB usar talar e peitilho foi a participação do pastor Edgar Krieser no Culto de Centenário da IELB em 2004, em Gramado, RS. A maioria utiliza a alba com estola. 


 Nas Comunidades Livres que caracterizaram a formação das comunidades principalmente em solo gaúcho; os pseudo-pastores, assim chamados porque eram escolhidos entre os da própria comunidade, também utilizaram o talar preto com peitilho branco. Alguns preferiram o uso do peitilho, porém o talar da cor marfim, como forma de identificação de que não eram filiados à nenhum sínodo. Ainda outros, usavam o talar marfim, em celebrações de datas especiais como Natal, e celebrações de matrimônio. E alternadamente continuavam com o uso do talar preto em outras celebrações. Ainda hoje, existem pastores que usam este modelo em comunidades livres na região sul do Rio Grande do Sul.




Fonte:
MANSK, Erli. A linguagem dos símbolos no culto cristão. Porto Alegre: IECLB, 2012.

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