sexta-feira, 20 de outubro de 2017

A Primeira Capela Luterana...

 Localizado as margens do Rio Elba, em Torgau - Alemanha, Hartenfels não está somente um impressionante castelo renascentista. Dentro dele encontra-se uma jóia da Reforma: a primeira Capela Luterana que foi construída no mundo.

 No ano de 1544, o eleitor da Saxônia, João Frederico, confessou sua Fé literalmente de forma concreta ao transformar uma ala de sua luxuosa mansão em uma Capela para o castelo.

 Nicholaus Gromann foi contratado como construtor e arquiteto para a renovação. Porém, Lutero e Cranach foram os que projetaram os elementos da arquitetura e da arte para confessar visualmente a Palavra e os Sacramentos como base para a Igreja de Cristo.

 Ao entrar na Capela, enxerga-se ao redor da porta de madeira, os sofrimentos de Cristo esculpidos em pedra. Já no seu interior percebe-se simplicidade e beleza, em um ambiente relativamente pequeno, mas aconchegante.

No púlpito, colocado na parede lateral, existem três imagens desenhadas por Cranach: Jesus e os apóstolos, Jesus perdoando a mulher adúltera e Jesus expulsando os comerciantes do Templo.

 O Altar é mais um capítulo à parte. A Mesa do Senhor é sustentada por quatro anjos esculpidos em pedra que transmitem uma belíssima imagem do Céu unindo-se com a terra por conta da Celebração da Ceia do Senhor. Uma bela Fonte Batismal e um Órgão suspenso completam esta Capela que é um marco na história da Reforma.

 A primeira Capela Luterana construída no mundo foi dedicada pelo bem-aventurado Dr. Martinho Lutero no dia 05 de Outubro de 1544, a quase 500 anos!

Fonte: Facebook Igreja Luterana Bom Pastor, Cariacica-ES.

terça-feira, 10 de outubro de 2017

Mateus 25:31-46 ...

31 E quando o Filho do homem vier em sua glória, e todos os santos anjos com ele, então se assentará no trono da sua glória;
32 E todas as nações serão reunidas diante dele, e apartará uns dos outros, como o pastor aparta dos bodes as ovelhas;
33 E porá as ovelhas à sua direita, mas os bodes à esquerda.
34 Então dirá o Rei aos que estiverem à sua direita: Vinde, benditos de meu Pai, possuí por herança o reino que vos está preparado desde a fundação do mundo;
35 Porque tive fome, e destes-me de comer; tive sede, e destes-me de beber; era estrangeiro, e hospedastes-me;
36 Estava nu, e vestistes-me; adoeci, e visitastes-me; estive na prisão, e foste me ver.
37 Então os justos lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, e te demos de comer? ou com sede, e te demos de beber?
38 E quando te vimos estrangeiro, e te hospedamos? ou nu, e te vestimos?
39 E quando te vimos enfermo, ou na prisão, e fomos ver-te?
40 E, respondendo o Rei, lhes dirá: Em verdade vos digo que quando o fizestes a um destes meus pequeninos irmãos, a mim o fizestes.
41 Então dirá também aos que estiverem à sua esquerda: Apartai-vos de mim, malditos, para o fogo eterno, preparado para o diabo e seus anjos;
42 Porque tive fome, e não me destes de comer; tive sede, e não me destes de beber;
43 Sendo estrangeiro, não me recolhestes; estando nu, não me vestistes; e enfermo, e na prisão, não me visitastes.
44 Então eles também lhe responderão, dizendo: Senhor, quando te vimos com fome, ou com sede, ou estrangeiro, ou nu, ou enfermo, ou na prisão, e não te servimos?
45 Então lhes responderá, dizendo: Em verdade vos digo que, quando a um destes pequeninos o não fizestes, não o fizestes a mim.
46 E irão estes para o tormento eterno, mas os justos para a vida eterna.

Mateus 25:31-46 ACF
Imagem: Zimmermann, Walter. Christenlehre ein buch für die Evangeliches Jugend. Berlim:
Lutherisches VerlagsHaus, 1960.

Por que temos um crucifixo no Altar?...


 É muito comum encontrar em igrejas evangélicas a cruz vazia na fechada ou no espaço interno do templo, seja afixada na parede sobre o altar ou até mesmo no próprio altar. O que chama atenção de muitas pessoas ao entrarem na Igreja Luterana é ver sobre o altar um crucifixo (a cruz com a imagem do crucificado), mais frequente em igrejas católicas.

 Percebo que no meio evangélico existe falta de clareza sobre o assunto. Muitas igrejas defendem que sobre o altar deve apenas existir a cruz vazia, enquanto que outras defendem o uso do crucifixo. Há também os que defendem o “tanto faz”. Fato é que ambas as representações da cruz são válidas e tem o seu significado. A cruz vazia representa a ressurreição, ao passo que o crucifixo representa o sofrimento e a morte salvífica de Jesus Cristo pela humanidade.

 Martim Lutero e as igrejas luteranas sempre mantiveram o crucifixo. Manifestando-se contra o movimento iconoclasta (destruidor de imagens) liderado pelo seu antigo companheiro Andreas Karlstadt, Lutero se manifestou dizendo: “Deveríamos deixar nas igrejas, pelo menos um crucifixo (...) para ver, para testemunhar, para recordar-se, para significar”.

 Quem eliminou o crucifixo das igrejas, na época da Reforma Protestante, foram aqueles que aboliram todo e qualquer tipo de imagem das igrejas, por considerarem que estas feriam o segundo mandamento que trata de não fazer imagens da divindade (Êxodo 20.4). Os cristãos de origem reformada, sobretudo os seguidores de Zwínglio e Calvino foram por essa linha. Os cristãos luteranos, ao contrário, valorizavam muito as imagens (pinturas, esculturas) como forma de reforçar aquilo que era pregado e ensinado nas igrejas, não como objetos de veneração ou adoração, mas como instrumentos pedagógicos. Por isso, além do crucifixo, é comum encontrar nas igrejas luteranas vitrais coloridos.

 É importante lembrar que a imagem do Cristo crucificado para a espiritualidade evangélico-luterana também aparece em inúmeras pinturas produzidas nas décadas seguintes à Reforma. Uma das representações mais famosas está sobre o altar da igreja Saint Marien em Wittemberg, na Alemanha. Trata-se de uma representação do Cristo crucificado pintada por Lucas Cranach, amigo de Lutero. Na pintura vemos Lutero no púlpito com uma mão sobre a Bíblia e a outra apontada para o Cristo crucificado que está centralizado. Do outro lado da obra, está retratada a comunidade que olha para o Cristo e não para o pregador. A pintura revela muito da teologia luterana, pois o centro do Evangelho e de toda a pregação cristã está o Cristo crucificado.

 Lutero descobriu que somos aceitos por Deus através de Cristo crucificado. Nas palavras do reformador: “No Cristo crucificado é que estão a verdadeira teologia e o verdadeiro conhecimento de Deus”. O apóstolo Paulo mostra que essa salvação é loucura para o ser humano: “Mas nós anunciamos o Cristo crucificado - uma mensagem que para os judeus é ofensa e para os não judeus é loucura” (1 Co 1.23). Essa loucura da cruz é a doutrina cristã fundamental. Porque foi com sua morte na cruz que Cristo pagou por todos os nossos pecados e, ao ressuscitar, se tornou doador de perdão, vida plena e salvação para todos os que creem. Isto é o que chamamos de “Teologia Crucis” – base da teologia luterana. É a cruz que faz com que a Graça de Deus não seja barata, pois custou a vida de Jesus. Somos salvos pela graça, mas não foi de graça!

 Quando Lutero descobriu a salvação somente pela fé em Cristo, unicamente pela graça de Deus e revelada somente na escritura, ele também passou a pensar como Paulo: “Quando estive com vocês, resolvi esquecer tudo, a não ser Jesus Cristo e principalmente a sua morte na cruz” (1 Co 2.2). Por tudo isso, o crucifixo sobre o altar pode ser uma boa ajuda para a pregação e a compreensão do evangelho, chamada pelo apóstolo Paulo de a “palavra da cruz” (1 Co 1.18).

Por Pastor Gerson Acker