terça-feira, 6 de outubro de 2015

Mensagem: uma formiga me levou a orar...


Outro dia, vi uma formiga que carregava uma enorme folha.
A formiga era pequena e a folha devia ter, no mínimo, dez vezes o tamanho dela.
A formiga a carregava com sacrifício.
Ora a arrastava, ora a tinha sobre a cabeça. Quando o vento batia, a folha tombava, fazendo cair também a formiga.
Foram muitos os tropeços, mas nem por isso a formiga desanimou de sua tarefa.
Eu a observei e acompanhei, até que chegou próximo de um buraco, que devia ser a porta de sua casa.
Foi quando pensei:
“Até que enfim ela terminou seu empreendimento”.
Ilusão minha.
Na verdade, havia apenas terminado uma etapa.
A folha era muito maior do que a boca do buraco, o que fez com que a formiga a deixasse do lado de fora para, então, entrar sozinha.
Foi aí que disse a mim mesmo:
“Coitada, tanto sacrifício para nada.”
Lembrei-me ainda do ditado popular:
“Nadou, nadou e morreu na praia.”
Mas a pequena formiga me surpreendeu.
Do buraco saíram outras formigas, que começaram a cortar a folha em pequenos pedaços.
Elas pareciam alegres na tarefa.
Em pouco tempo, a grande folha havia desaparecido, dando lugar a pequenos pedaços e eles estavam todos dentro do buraco.
Imediatamente me peguei pensando em minhas experiências.
Quantas vezes desanimei diante do tamanho das tarefas ou dificuldades?
Talvez, se a formiga tivesse olhado para o tamanho da folha, nem mesmo teria começado a carregá-la.
Invejei a persistência, a força daquela formiguinha. Naturalmente, transformei minha reflexão em oração e pedi ao Senhor:
Que me desse a tenacidade daquela formiga, para “carregar” as dificuldades do dia-a-dia.
Que me desse a perseverança da formiga, para não desanimar diante das quedas.
Que eu pudesse ter a inteligência, a esperteza dela, para dividir em pedaços o fardo que, às vezes, se apresenta grande demais.
Que eu tivesse a humildade para partilhar com os outros o êxito da chegada, mesmo que o trajeto tivesse sido solitário.
Pedi ao Senhor a graça de, como aquela formiga, não desistir da caminhada, mesmo quando os ventos contrários me fazem virar de cabeça para baixo, mesmo quando, pelo tamanho da carga, não consigo ver com nitidez o caminho a percorrer.
A alegria dos filhotes que, provavelmente, esperavam lá dentro pelo alimento, fez aquela formiga esquecer e superar todas as adversidades da estrada.
Após meu encontro com aquela formiga, saí mais fortalecido em minha caminhada. Agradeci ao Senhor por ter colocado aquela formiga em meu caminho ou por me ter feito passar pelo caminho dela.

As cruzes no templo...

 
 A cruz é o símbolo que mais identifica a presença do cristianismo em todo mundo. Desde o início da Igreja Cristã, ela foi usada para identificar templos, instituições e cemitérios. É também costume antigo usá-la como adorno pessoal, pendurada ao pescoço. Hoje, ela continua sendo uma das melhores formas de identificar a presença da fé cristã. Ao longo da história, foram desenvolvidos diversos estilos de cruzes. No meu livro A dinâmica do culto cristão (Editora Concórdia), mais precisamente no último capítulo, tem uma parte que fala sobre estilos de cruzes. Neste espaço, vou falar apenas sobre as formas de cruzes mais usadas na IELB. Alguns evangélicos e pentecostais não admitem qualquer forma de cruz. Alegam que o uso dela é uma adoração a um objeto, o que seria idolatria. Há pessoas que usam a cruz como espécie de amuleto, que serve para proteger contra perigos e até “mau olhado”. A falta de conhecimento sobre o significado e importância da cruz pode levar a distorções. O Crucifixo É a cruz com o corpo de Cristo esculpido. Ele enfatiza a natureza humana de Cristo e o seu sacrifício por nós. Um crucifixo sempre nos lembra que Cristo morreu por nós, para que tivéssemos perdão e salvação. Porém, ele também lembra que a nossa vida aqui na terra ainda está sob a cruz. Muitos entendem que, após a ressurreição de Jesus, o cristão não tem sofrimentos e que sua vida é sempre alegre, mas a Palavra de Deus condena esta interpretação. Jesus diz que, para ser discípulo dele, é preciso tomar a cruz e carregá-la. Algumas igrejas até admitem o uso da cruz, mas apenas a cruz vazia e não o crucifixo. Dizem que o importante é anunciar o Cristo ressurreto. “Nós pregamos o Cristo crucificado”, diz o apóstolo Paulo (1 Co 1.23). Ao dizer isso, Paulo lembra que a obra salvadora de Cristo culminou com o seu sacrifício na cruz e que, sem ele, não haveria vitória. No templo, o melhor lugar para o crucifixo é em cima do altar, um pouco à frente da cruz vazia, pois o altar sempre lembra o sacrifício dos animais no Antigo Testamento. Como Cristo é o perfeito Cordeiro sacrificado por nós, estes sacrifícios não são mais necessários. Lembrando o sacrifício de Jesus por nós, o crucifixo é o ornamento mais importante do altar. A Cruz Vazia Lembra a ressurreição e a vitória de Jesus sobre o pecado e a morte. Seu maior propósito é dizer que Cristo vive e que nós, pela fé, viveremos com ele. Ela sempre serve de consolo para o povo de Deus, pois tem nela um símbolo da esperança pela ressurreição. Dentro da igreja, a cruz vazia deve ficar por trás do altar e sobressaindo acima dele, dando a ideia de que, após a ressurreição, Jesus subiu ao céu. Na frente dela está o crucifixo, geralmente menor. Assim, quem olha de frente para o altar, visualiza o crucifixo e lembra que sua caminhada ainda está sob a cruz, mas já pode levantar os olhos e, ao visualizar a cruz vazia, pode estar certo da sua ressurreição e vida eterna com Jesus no céu. A Cruz da Procissão Em festividades especiais, por ocasião da entrada dos ministros e dos oficiantes, pode-se usar uma cruz “processional”. Ela é composta de uma cruz pequena, inserida numa haste de metal. Na procissão de entrada, ela deve ir à frente e sobressair a tudo e a todos, para mostrar que é por causa de Cristo que podemos prestar culto a Deus. É conveniente que o portador da cruz cubra-se com uma sobrepeliz. A Cruz da IELB A cruz que identifica a IELB é bastante conhecida em todo Brasil. Ela é um logotipo de uma instituição e não de toda a Igreja Cristã. Sua função é identificar a IELB e não a Igreja Cristã num todo. Assim, é bom que ela esteja em lugares visíveis, como nas fachadas de templos, nas torres, portas e placas das igrejas e em adesivos. Em alguns templos da IELB, ela está afixada atrás do altar, que não é o melhor lugar para ela. Lá, deveria estar a cruz vazia e o crucifixo, que são símbolos litúrgicos universais, os quais pertencem à Igreja Cristã de todos os tempos. O altar e seus ornamentos devem lembrar a obra de Cristo em favor do pecador, enquanto que a cruz da IELB quer apenas identificar uma instituição. 

Rev. David Karnopp, pastor em Vacaria, RS Membro da Comissão de Culto da IELB

Luteranismo Brasileiro...


IGREJAS LUTERANAS TRADICIONAIS:

A Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB) está ligada ao movimento migratório europeu. Os primeiros luteranos vieram para cá, oriundos da Alemanha, em 1824, estabelecendo-se em Nova Friburgo/RJ e em São Leopoldo/RS.

Pastor Presidente:  Pastor Dr. Nestor Paulo Friedrich 

www.luteranos.com.br  






A Igreja Evangélica Luterana do Brasil (IELB) surgiu nos assentamentos de colonização alemã no sul do Brasil. Missionários da Igreja Luterana - Sínodo Missouri, EUA, foram enviados para procurar alemães luteranos carentes de atendimento pastoral. Organizada oficialmente em 1904.

É presidida pelo: Rev. Egon Kopereck

www.ielb.org.br  

A Igreja Evangélica Luterana Independente (IELI) surgiu no intuito de reunir e congregar as comunidades evangélicas luteranas livres localizadas no sul do Rio Grande do Sul.

www.ieli.com.br








 IGREJAS QUE TIVERAM INFLUÊNCIA DO LUTERANISMO:
(Tem influência do pietismo, e de movimentos pentecostais.)


  A Igreja Evangélica Congregacional do Brasil (IECB) surgiu no objetivo de reunir e congregar antigas comunidades luteranas livres localizadas no norte e noroeste do estado do Rio Grande do Sul.

É presidida pelo pastor Mauro Monschimidt

www.iecb.org.br

A Igreja Evangélica Luterana da Renovação (IELR) surgiu através de um grupo de avivamento que desligou-se da IELB em 1979.

www.luteranadarenovacao.com.br




A Igreja Evangélica Luterana Livre (AILLB) Associação das igrejas luteranas livres do Brasil surgiu através da atuação de missionários americanos.

www.igrejaluteranalivre.com.br

quinta-feira, 24 de setembro de 2015

Lutero fala: Deus e César...

Então lhes respondeu Jesus: Dai, pois, a César o que é de César, e a Deus o que é de Deus. (Lucas 20.25) 


    A Escritura ensina que o Espírito Santo e não o mundo, o príncipe ou o imperador deve governar por meio da Palavra de Deus. O mundo deve submeter-se a esse julgamento e castigo, e acatar a sentença. Mas quando o mundo resiste e se torna juiz, colocando-se acima da Palavra de Deus, e nos condena e dá ordens, saibamos que tal juízo é maldito e diabólico. Devemos resistir dizendo: "Estimado príncipe, imperador ou mundo, estou sujeito a sua autoridade no que diz respeito a vida e bens. Na medida em que você tem poder sobre vida e bens, devo e quero obedecer a sua vontade. Agora, quando você quer ir além, intrometendo-se no que compete a Deus, numa área onde você não pode nem deve emitir juízos, mas juntamente comigo e as demais criaturas submeter-se ao juízo da Palavra de Deus, nesse momento não devo e nem quero obedecer; vou fazer justamente o contrário, para ser obediente a Deus e fiel a sua Palavra." 
  Amados, não fomos batizados em nome de reis, príncipes ou do povo, mas em nome de Cristo e do próprio Deus. Também não somos chamados de reis, príncipes ou povo, mas de cristãos. Ninguém pode nem deve guiar almas, a menos que saiba indicar-lhes o caminho do céu. Homem nenhum pode fazê-lo; só Deus pode. Por isso, nas questões que dizem respeito à salvação, nada deve ser ensinado e aceito além da Palavra de Deus.

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Trecho retirado do Castelo Forte - Devoções diárias 1983; sábado, 13 de agosto.
(Editoras Concórdia e Sinodal, 1983)

XII Encontro da Reforma Luterana em Canguçu/RS...


Reflexão: COMUNIDADE...

 A Palavra de Deus precisa ser ouvida, lida e praticada por cada pessoa individualmente e em particular. Mas, ao mesmo tempo, a Palavra precisa ser ouvida e praticada pela comunidade toda, reunida. É bom o que o salmista expressa, quando diz: “Como é bom e agradável que o povo de Deus viva unido como se eles fossem irmãos... Pois é em sião que o Deus Eterno dá a sua bênção, a vida para sempre” ( Salmo 133.1,3b ).

 Ás vezes, pessoas dizem que não precisam ir à igreja, que fazem sua oração em casa, sozinhas, e que isso é suficiente. Será verdade? Será que elas não viciam no seu jeito de fazer oração e ler a Bíblia? Será que não correm o risco de se tornarem cristãos egoístas, sacrificando, dessa forma, uma das características da fé cristã, a comunhão? Isso é um lado. Mas há ainda outros questionamentos que podem ser feitos: Será que a nossa fé resiste à solidão? Por quanto tempo conseguimos manter esta chama acesa, sozinhos? Uma brasa isolada no braseiro apaga. Assim, ela não transmite calor, mas também não recebe calor de outras brasas. Torna-se um carvão apagado e frio. Isso é mais um aspecto: se alguém não se reúne com a comunidade, outras pessoas ficam privadas de seu testemunho de fé e de seu exemplo. No culto, buscamos a comunhão, através da Palavra e do Sacramento junto à comunidade. Buscamos comunhão, mas também oferecemos comunhão. As duas coisas acontecem. Uma é tão importante como a outra.

 Dia do Senhor é oportunidade de reunir a comunidade sob a Palavra de Deus e ao redor da mesa da Santa Ceia. Não é possível ser cristão sozinho. Vamos experimentar comunidade no culto!

Oração

Obrigado, Senhor, que tu nos dás uma Igreja, uma comunhão dos santos, para que ela nos acompanhe, carregue, anime e que, através dela, nós podemos acompanhar e carregar outras pessoas. Amém.

Comunidade SÃO CRISTÓVÃO...!? luterana??...

Comunidade
SÃO CRISTÓVÃO...!? luterana??...
 É a pergunta que talvez muitos se fazem. Outros podem não achar diferença e não ver com estranheza. Frente à grande diversidade de nomenclatura das comunidades luteranas, podemos encontrar facilmente os nomes: "São Paulo", "São Marcos", "São Pedro", "São Mateus", "São João", e outras tantas figuras bíblicas que claramente tiveram seu cotidiano e suas vidas registradas nas páginas da Sagrada Escritura.

  Na localidade de Florida, no 2° distrito de Canguçu-RS, temos um fato curioso e interessante. A Comunidade Luterana Independente leva o nome de "São Cristóvão". Um santo venerado por católicos e considerado pelos mesmos, como padroeiro dos motoristas. Há pouca informação sobre a vida desse santo. Há quem afirme que é só uma lenda, e talvez nem tenha existido de fato.
 Não se sabe como foi o processo da escolha do nome da comunidade. Não estou aqui querendo criticar ou julgar como errado. Não estou fazendo isso! Apenas considero esses aspectos muito interessantes na formação e organização das comunidades. Cada comunidade tem a sua realidade, o que obviamente, a difere das demais.
 A Comunidade "São Cristóvão" pertence à Igreja Evangélica Luterana Independente e é assistida pelo pastor Darí Schmechel. Possui departamentos de Culto Infantil e Juventude que são muito ativos. 




segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Rosa de Lutero...


Entenda abaixo, o significado da Rosa de Lutero:

Cruz (preta): no centro da rosa, lembra que Deus vem ao nosso encontro com o seu amor através de Jesus crucificado.

Coração (vermelho): significa que Cristo agiu na nossa vida através da cruz, e que ela recebe novo sentido, se Cristo for o seu centro.

Rosa (branca): significa que, quando a cruz de Cristo tem lugar em nossa vida, ocorre uma transformação que traz verdadeira paz e alegria. A cor branca representa o reino de Deus. Todas as promessas de Cristo também são representadas por essa cor branca.

Fundo (azul): Deus está conosco. Podemos viver com e para Deus, como sinais de seu reino, já aqui e agora. Mas a cor azul é também esperança no futuro, pois lembra a eternidade.

Anel (dourado): o ouro é o metal mais precioso. Este anel representa as dádivas que recebemos através da cruz e ressurreição de Jesus. A vida para a fé e o amor a serviço de Cristo é o que temos de mais precioso.

Algumas versões:






domingo, 16 de agosto de 2015

Comunidades Luteranas da localidade de Florida, 2° distrito de Canguçu...

Comunidade Evangélica Luterana "Martinho Lutero" de Florida III - IELB

Comunidade Evangélica Luterana Independente "São Cristóvão" - IELI

Comunidade Evangélica Luterana "Cristo" de Florida II - IELB

Comunidade Evangélica Luterana Independente "Santa Marta" - IELI

Altar da CELI Santa Marta

Comunidade Evangélica Luterana "São Pedro" de Florida I - IELB

Playmobil de Martinho Lutero tem produção esgotada em 72 horas...

Boneco encomendado para as comemorações dos 500 anos da reforma luterana desencadeou campanha para que a fábrica lance também uma versão do castelo de Wartburg, onde Lutero traduziu Novo Testamento

 Um boneco do teólogo Martinho Lutero, um dos fundadores do protestantismo, se tornou o brinquedo vendido mais rapidamente na história. A fabricante de brinquedos Playmobil criou um boneco alusivo ao teólogo e todo o estoque foi vendido em 72 horas. O departamento comercial da empresa foi pego de surpresa com o sucesso:

“É a venda mais rápida que já tivemos”, disse Anna Ermann, porta-voz da companhia em entrevista à agência estatal “Deutsche Welle”.

 A Playmobil fez sucesso no Brasil nos anos 1980, com seus bonequinhos de plástico desmontáveis. A versão de Martinho Lutero traz o teólogo vestido com as roupas da época, carregando uma Bíblia em alemão e uma pena que simula uma espada. As 34 mil unidades do boneco Lutero foram vendidas e um novo lote foi encomendado, de acordo com informações do jornal O Globo.

 O Centro de Turismo de Nuremberg divulgou um comunicado dizendo que o brinquedo serve como um “embaixador miniatura da reforma protestante”. Estima-se que 95% das unidades tenham sido vendidas na própria Alemanha, e o sucesso imediato já despertou interesse de comerciantes espanhóis, italianos e suecos.

 A Playmobil recebeu uma solicitação de fãs da marca que usaram o Facebook para pedir que o boneco de Lutero ganhe uma miniatura do castelo de Wartburg. No entanto, a empresa descartou a hipótese.
 O lançamento do boneco é uma homenagem ao 500º aniversário do lançamento das “95 teses sobre o poder e a eficácia da indulgência”, publicação considerada o pílar da Reforma Protestante, e que gerou sua excomunhão da Igreja Católica Romana em 1521. Para Astid Mühlmann, diretora do departamento do governo alemão responsável pelas celebrações, os alemães valorizam muito o legado de Lutero:

“A educação pesou. Existe muito interesse em olhar para trás, para nossa História, pais querendo ter certeza que os filhos cresçam sabendo quem ele era e por que teve tanto impacto na maneira como a sociedade europeia evoluiu”, resumiu.

 Martinho Lutero, pastor e professor de Teologia, viveu de 1483 a 1546 e tornou-se o grande mentor da reforma protestante na Alemanha ao desafiar a autoridade do papa Leão X e traduzir a Bíblia Sagrada do latim para o alemão. Essa iniciativa inspirou outros países, posteriormente e deu origem às igrejas protestantes.

Fonte: Gospel +

quarta-feira, 5 de agosto de 2015

Luteranos mantêm igreja só para negros há 85 anos no Sul...

A origem da divisão está na proibição, no início do século 20, de ex-escravos e seus descendentes frequentarem os cultos dos imigrantes que vieram da Europa.


                         
Ismael de Souza Matos, 17 anos (esq.), o presidente da associação quilombola Marco Antônio Matos, 40 (centro) e Candido Nunes, 65 anos, em frente à Igreja Luterana Manoel do Rego. (Isadora Brant/Folha Press) 

 Ladeado por plantações de fumo e milho, um distrito rural no extremo sul do país mantém a rara tradição de dividir os fiéis luteranos em duas igrejas, separadas por apenas um quilômetro. Uma delas é “dos negros” e a outra, “dos alemães”.
 A origem da divisão está na proibição, no início do século 20, de ex-escravos e seus descendentes frequentarem os cultos dos imigrantes que vieram da Europa.
 Entrar em uma ou em outra igreja não é mais proibido. O costume de rezar em templos separados, porém, permanece em Canguçu, município de 57 mil habitantes a 300 km de Porto Alegre.
 A cidade tem o maior percentual de habitantes na zona rural do país (63%) e é o segundo maior produtor nacional de fumo. A maioria dos agricultores é de descendentes de alemães ou de remanescentes de quilombos.
 No quarto domingo da Quaresma, em março, a Folha visitou um culto da congregação Manoel do Rego, fundada em 1927. A maioria dos 28 presentes, de sobrenomes Silva, Borges e Souza, eram negros quilombolas.
 Perto dali, andando por uma estrada de terra margeada por casas simples do distrito de Solidez, chega-se à congregação Redentor, dos alemães. O pastor de ambas igrejas é Edgar Quandt, 62, descendente de europeus.

RARIDADE

 Os principais ramos luteranos em atuação no país, a Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil e a Igreja Evangélica Luterana do Brasil –à qual pertence a Manoel do Rego–, não têm registros de outro grupo com características semelhantes.
  Segundo o professor Ricardo Rieth, da Universidade Luterana do Brasil, o caso de Canguçu é isolado, pois as igrejas luteranas não permitiam a entrada de negros.
 Rieth diz que embora a igreja tenha desenvolvido no mesmo período outras missões em comunidades negras e indígenas do Rio Grande do Sul, havia resistência de imigrantes alemães para as tentativas de integração promovidas pelos pastores.
 Com a expansão das igrejas luteranas, não é rara a presença de negros entre os seguidores no Brasil.
Hoje, as duas congregações realizam festas e outras atividades conjuntas. O coral masculino da congregação Redentor tem integrantes das duas comunidades.
 “Não há discriminação, como às vezes parece de fora. Eles gostam de ter [cada um] a sua congregação. Há uma integração muito boa em toda a nossa igreja”, afirma o pastor Quandt.
 A ideia de unificar as duas igrejas foi debatida. Embora a relação seja definida como boa, a decisão foi de manter “cada um na sua”, diz o presidente da associação quilombola do local, Marco Antônio Matos, 40.

                               
Áurea de Souza é a primeira a chegar na Igreja Luterana Manoel do Rego; igreja de origem alemã é formada por maioria negra, em Canguçu (RS) Foto: Isadora Brant/Folha Press 


                               
Primeiras fiéis a chegarem na Igreja Luterana Manoel do Rego, em Canguçu (RS) Foto: Isadora Brant/Folha Press


                               

Resistência alemã contra integração gerou a fundação de uma igreja de maioria negra. Foto Isadora Brant/Folha Press 




JOHANNES BUGENHAGEN...

JOHANNES BUGENHAGEN

 Nasceu em Wolin a 24 de Junho de 1485 e faleceu em Wittenberg a 20 de Abril de 1558. Casou-se com Walpurga Bugenhagen em 1522. Estudou na Universidade de Greifswald. A Pomerânia tornou-se luterana em 1530, por intermédio de Bugenhagen que era um colaborador e confessor de Lutero.

 É comemorado no Calendário dos Santos da Igreja Luterana - Sínodo de Missouri em 20 de Abril.

sábado, 1 de agosto de 2015

Projeto Tradução da Bíblia para o Pomerano - Do jeito mais simples fica mais fácil...

  Não existe, até agora, uma forma 'oficial' de escrever em pomerano. Muita gente escreve em pomerano do jeito que 'acha' certo ou imagina que seja. Na maioria das vezes os outros não conseguem ler. E, sendo pomerano, existem alguns que pensam que são 'donos' da escrita e gritam aos quatro ventos que existe um jeito certo de escrever em pomerano e que o resto é invenção. Mas, deixa pra lá. 
 No Espírito Santo existe um belo trabalho sendo realizado nas escolas. A escrita, no entanto, é muito 'germanizada', sendo de difícil compreensão e uso para quem não tem noção da língua alemã. Falando nisso, é bom deixar bem claro que pomerano não é alemão e vice-versa. Existe a língua alemã e existe a língua pomerana. 
 Nosso consultor de tradução, Dr. Vilson Scholz, reforça que a tendência das línguas é a simplificação na escrita, por isso a proposta de se escrever em pomerano sem ficar 'amontoando' consoantes e exigindo conhecimento da língua alemã, é plenamente válida. Além disso, existem pesquisas acadêmicas que fundamentam teoricamente o método de escrita usado. Ou seja, não é uma mera invenção. 
 A partir da necessidade de divulgar e ao mesmo tempo preservar a língua pomerana, tendo em vista os milhares de pomeranos, especialmente no sul do rio Grande do Sul e no Espírito Santo, é que a Sociedade Bíblica do Brasil - SBB - resolveu investir numa maneira de tornar a escrita mais popular e com isso manter essa bela língua para as futuras gerações. 
 A proposta de escrita é a chamada transliteração, onde se escreve exatamente conforme o som da cada letra, formando assim as palavras que podem ser lidas até por quem não entende a língua. Eu mesmo já presenciei pessoas lendo o texto em pomerano, sem saber o que estavam lendo, mas que era plenamente compreendido por ouvintes pomeranos.
 O projeto pomerano foi proposto pela SBB e a partir daí foi formada uma equipe de tradução, que é integrada pelas seguintes pessoas: Arnildo Münchow, Milton Vorpagel, Hilbert Wendler e Renato Blank. A equipe tem encontros semanais onde tem a tarefa de estudar o texto bíblico e aplicar o real sentido das palavras em pomerano. Uma primeira etapa está quase no final. O Evangelho de Lucas está traduzido. Agora a SBB irá ver a melhor forma de divulgação do material. Além disso, estamos trabalhando no livro: Minha Biblinha Querida, que são histórias para crianças e foi lançado a algum tempo pela SBB, estando disponível nas livrarias cristãs em língua portuguesa. 
 A experiência até agora foi sem dúvida edificante para cada um de nós, da equipe de tradução. Nos encontros de tradução, geralmente lá na igreja da Santa Augusta, paróquia de Bom Jesus, temos tido momentos bem interessantes, porque nem sempre há consenso sobre a melhor palavra a ser usada. Às vezes a gente traduz um versículo e, na semana seguinte, alguém aparece com uma sugestão que nem havíamos nos dado de conta anteriormente. 
 Traduzir o texto bíblico é uma tarefa delicada, porque não se trata de folclore, versinhos musicais ou coisa assim. É a Palavra de Deus que precisa chegar aos ouvidos e corações da forma correta. Ao longo desses três anos de trabalho tivemos bons retornos, ou seja, muitas pessoas que toparam com a escrita simplificada, gostaram e entenderam a proposta. Outros resmungam, dizendo que a escrita é meio feia, esquisita e coisa e tal. O desafio do trabalho é não se exaltar com os elogios e também não desanimar com as críticas. 
 Por enquanto o Evangelho de Lucas em pomerano ainda não está sendo muito divulgado por aqui. É que a SBB tem o direito sobre a tradução e daí vamos esperar para ver se eles vão publicar ou vão autorizar o uso para livre divulgação nos meio eletrônicos. 
 Sabemos que, se algo de bom acontecer através deste projeto, é obra da misericórdia de Deus, que usa instrumentos para que o recado amoroso da salvação em Cristo chegue a muitos corações.

Pastor Arnildo Münchow
pastor da IELB em Canguçu-RS
Fonte: Leigo Luterano, Informativo Semestral do Distrito de Leigos Sul II, n° 13, agosto de 2015.